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Amesterdão, perdida em cada esquina

Janeiro 21, 2016

O céu está pintado de azul sem nuvens e isso basta para desorientar-me em Amesterdão. As ruas têm nomes estranhos, difíceis de decorar, seria muito mais fácil se optassem-se pelos números em semelhança a Nova Iorque. Os canais são mais ou menos da mesma largura e mais ou menos com o mesmo tráfego de barcos. As casas são quase todas em tijolo acastanhado e mais ou menos inclinadas. Todas as esquinas servem para me perder.

Perdida naquela esquina em que o fotógrafo capta uma jovem numa ponte segurando uma bicicleta nas suas mãos e que tem como pano de fundo a torre dourada de uma igreja. Continuo perdida. Perdida no banco do café da esquina que provavelmente será o café central aqui do bairro. Os holandeses e estrangeiros que vivem por ali começam a entrar ao final da tarde para um fino e dois dedos de conversa afiada. Continuo perdida. Na mala um livro, na mesa um café quente e dali as janelas altas com vista para o canal. O ambiente convida à leitura e  assim me perco no tempo até a noite caiar a cidade. Continuo perdida. E talvez ali me encontre. Talvez. Talvez no virar da esquina da próxima rua. Mas qual delas? Aquela. Certamente saberei se a encontrar.

De olhos nas letras. A noite desce como quem desce uma escada a correr. Saio meio apressada enquanto as luzes se acendem na rua. Páras-me.  À saída do bar com o olhar no chão, apanhas-me o lenço que esvoaçou com a corrida desajeitada. Olho atrás. Recordo que ainda ontem naquela esquina me ensinaste, olhando o mapa, o caminho. O momento repete-se. E talvez, até na mesma esquina. Regresso de volta a casa sem mapas. Em todas as ruas me perco e em todas te encontro…

 

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

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1 Comment

  • Reply 10 Curiosidades acerca de Amesterdão – Lookingaround Janeiro 24, 2016 at 00:11

    […] curioso, inovador, criativo e visionário. E por isso o meu roteiro é simples: deixo-me perder no centro da cidade para a a cidade dar-se a […]

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