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Cartagena, amor de perdição

Novembro 13, 2016

É impossível não amar Cartagena desde o primeiro segundo. É impossível não ser uma paixão assolapada, como se tratasse de um amor de verão. É impossível deixar Cartagena sem saudade.

O calor das ruas de Cartagena convidava a um passeio sem destino, a uma descoberta sem mapas. As ruas vibravam com música. As famílias sentavam-se no passeio à porta de casa com uma aparelhagem e colunas a espalhar ritmos para todos os vizinhos. Mais adiante uma senhora idosa recostada numa velha cadeira à porta de casa dedicava-se às palavras cruzadas. E no adro da igreja, os meninos jogavam à bola. Um jogo acesso, com vários assistentes e suplementes a gritarem a pedir justiça ao árbitro. A vida acontecia aqui. As ruas de Cartagena estavam quentes, de uma humidade assoladora mas que não retiraram a vontade louca de percorrer, de me perder no tempo.

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Estava no bairro Getsemaní, um velho bairro reinventado agora pelas mãos dos jovens. Casas com quadros artísticos pintados com grafitis. Aulas de zumba no adro da igreja Santíssima Trinidad. Durante o dia, as ruas enchiam-se de turistas carregados de câmeras fotográficas para captar as cores da cidade. As cores explodiam e apaixonavam os olhos de todos os viajantes.

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Do outro lado da cidade, as muralhas guardavam a velha cidade colonial. Noutros tempos saqueada vezes sem conta, é hoje um labirinto colorido que guarda uma riqueza histórica e cultural incalculável. De novo as cores. De novo a sensualidade. De novo a paixão. Nestas muralhas os enredos viraram contos, pela escrita de Gabriel Garcia Marquez. A Plaza de los Coches, do “Do Amor e Outros Demônios”, o Portal de los Escribanos, onde se encontraram os protagonistas de “O Amor nos Tempos do Cólera”, o hotel Santa Clara que conta a história de amor entre o padre Cayetano Delaura e a jovem Sierva María de Todos los Ángeles, em “Do Amor…”. Tantas histórias. O tempo parecia inerte. O casco dos cavalos a cruzar as ruas empedradas e a arquitectura colonial mantinham Cartagena no passado.

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O dia caía. As muralhas enchiam-se de casais apaixonados a ver o pôr-de-sol sobre o mar. Todos sabem que a esplanada do café Del Mar é o cenário perfeito para terminar o dia. Para além de turistas de chapéus de palha relaxados a beber mojitos, os jovens colombianos juntavam-se em grupos a beber cerveja sobre as muralhas. E nas pequenas brechas que no passado serviriam para vigiar saqueadores, jovens namorados escondiam-se a namoriscar. O calor. A cor. A vida com tanta intensidade!

A noite estava montada e o cenário não deixava de ser colorido. Os restaurantes acendiam as luzes e abriam as portas. A música soava por todas as ruas e os jovens bailarinos vestiam roupas indígenas e rodopiavam pelos sons dos tambores nas principais praças do centro histórico. O quadro romancista estava pintado e a noite ainda era uma menina.

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Cartagena apaixonava-me e guiada pelas palavras de Gabriel Garcia Marquez perdia-me pelas cores e pelos sentimentos que nublavam a cidade. Para ti Cartagena: “Amo-te não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo.”

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