Diário - Nicarágua, Nicarágua

Equilibrio em Las Salinas, aos pés da praia Popoyo

Setembro 17, 2016

A costa do Pacíficio extende-se por toda a Nicarágua. Praias de longos areais quase desérticos, ondas de vários tamanhos chamando tribos de surfistas e observatório de várias espécies de tartarugas e baleias. Um autêntico e quase virgem território. Nicarágua é um tesouro em descoberta.

Praia Popoyo

Praia Popoyo

Las Salinas é uma região nas imediações da praia Popoyo. Na primeira linha do mar alguns hóteis e hostéis aglomeram-se para dar o melhor spot aos turistas. Depois na terceira ou quarta linha do mar existe uma comunidade onde vivem todos os nicas. A estrada principal que liga Las Salinas às outras comunidades e à principal cidade da região, Tola, é de terra batida que levanta pó com a passagem dos camiões, carros de bóis e jeeps. E é ao longo desta estrada que as casas nicas de tijolo e telhado de zinco se perfilam numa pobreza crua.

Las salinas

Las salinas

Chegava a Las Salinas para realizar Workaway com a Gabriela, no ecolodge Equilibrio. Um espaço sonhado, desenhado e construído por James e Gabriela. E o resultado é uma quinta com casas privadas envolvidas de uma natureza selvagem, ideal para retiros de yoga e/ou espirituais. A par deste projecto pessoal, Gabriela e James desenvolveram na comunidade a ONG Aprender pelo impacto que tiveram assim que chegaram a Las Salinas. O futuro de um país, de uma comunidade local depende da aprendizagem das crianças, assim dizia Gabriela para explicar a sua motivação. Ela, receberia nos próximos dias um grupo de estudantes vindos dos Estados Unidos para uma viagem cultural e comunitária. Nos próximos dias iriam realizar voluntariado em escolas, centros de saúde e na biblioteca. E neste sentido, eu iria juntamente com Nathalie acompanhar este grupo como ponte de ligação com a comunidade local. Assim os seguintes dias seriam para conhecer a comunidade local…

Tere e a sua família

Tereza, mais conhecida por Tere é a bibliotecária de los tres ernestos, e seria a grande anfitriã que me levaria a toda a comunidade. Percorrendo a região numa velha bicicleta, começaríamos pela manhã a visitar a sua família, onde iríamos ter almoços diários, depois pela escola para conhecer os professores, o centro de saúde para conhecer as enfermeiras e a médica de serviço, a biblioteca onde Tere e Karina tomavam conta das crianças e por último as tiendas para as compras de necessidade.

Tere exibia um sorriso genuíno pela manhã e mantinha-o por todo o dia fizesse calor ou muito calor. A sua casa encontrava-se a dois passos de Equilibrio e dentro de um terreno onde toda a sua família vivia. Uma pequena área com várias casas, onde a casa mãe de Alzira seria o portal principal para o adro onde as crianças pulavam de alegria e rastejam na terra. Jovens sentados à sombra viam televisão e jogavam jogos nos telemóveis. Mulheres nas fascínas diárias da casa, a lavar roupa, a cozinhar e outras de bebés ao colo. E a par desta atmosfera, vários animais, cães magros e pouco tratados, porcos e galinhas livres a vaguear pelas casas. Uma comunidade simples onde desde o primeiro dia fui recebida com alegria.

Tere a bibliotecária e amiga na visita a Las Salinas

Tere a bibliotecária e amiga na visita a Las Salinas

Centro de Saúde Las Salinas

O segundo ponto de visita seria o centro de saúde. Um pequeno centro composto por 4 salas de tratamentos e consultas rodeado de um pequeno jardim. Na parte posterior estava em construção uma nova ala que virá a ser uma área de vigilância para evitar transferência para a cidade de Tola. A enfermeira Martita era de uma energia incansável movendo toda a comunidade no problema que actualmente preocupa toda a América Latina: Dengue, Chikugunya e Zika. Ali, mal pisava o primeiro degrau do centro e Martita já pedia a minha ajuda para comunicar com o jovem Dexter, estudante americano que realizava voluntariado no período de verão. E de seguida, colocava-me a par de toda a situação e todos os planos para as próximas semanas. Havia muito a fazer e este seria o momento ideal para receberem voluntários.

Escola Las Salinas

O complexo escolar é composto por sensívelmente 6 pavilhões para alunos até ao sexto ano. Todos o que quiserem continuar os seus estudos universitários teriam que ir para a cidade, a mais de duas horas de viagem ou então para a capital. A educação era um tema delicado e com muitas falências apesar da dedicação dos professores. Naquele dia em que visitávamos a escola era dia do desporto e todos festejavam num campo a poucos metros da escola. Competições de voleibol e futebol de rapazes e raparigas. Sobre um sol feroz, de uniformes bem aprumados, levavam a competição com seriedade.

Equipa vencedora no dia do desporto

Equipa vencedora no dia do desporto

Biblioteca Los tres ernestos

E por fim, chegaríamos à biblioteca onde Tere trabalhava com Karina. Uma pequena casa com espaço para computadores, uma mesa de ping-pong e uma sala de leitura. Um espaço que iria ser remodelado com a chegada dos voluntários. À volta casa as crianças jogavam à bola depois da escola, outros jogavam ping-pong enquanto que outros entravam nos desafios das novas tecnologias.

Biblioteca los tres ernestos

Biblioteca los tres ernestos

Este era o ambiente dos próximos dias e aliciava-me esta nova experiência comunitária, agora na Nicarágua.

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