Diário - Nicarágua

Ilha Ometepe e dois vulcões

Setembro 12, 2016

Partia para Ometepe em dia de festa. O presidente Ortega proclamava palavras de esperança na principal praça de Manágua para os milhões de pessoas que estariam presentes vindos de todos os cantos de Nicarágua. A caminho de Ometepe, via-se milhares de autocarros cheios e enfeitados de bandeiras dirigindo-se à capital. Quase não haveria autocarros públicos noutros sentidos e se não viajasse pela manhã, naquele dia não conseguiria chegar a Ometepe. Depois de alguns percalços pelo caminho chegaria ao cais de San Jorge animada para embarcar numa nova aventura.

A viagem de barco nas águas do lago Ometepe cortava as ondas, afugentava as aves e ao longe, lentamente começava-se a avistar a ilha e os picos dos vulcões. A partir daquele momento, os viajantes fixavam o olhar na ilha como hipnotizados pela magia. Ometepe seria um lugar mágico a descobrir os próximos dias.

Viagem para a ilha Ometepe

Viagem para a ilha Ometepe

Na manhã do dia seguinte saía de Zopilote com Camila, Mads e Christian. Três dinamarqueses em viagem que dariam-me o prazer de partilhar o dia a percorrer a ilha numa scotter. Não havia melhor forma de conhecer a ilha. A estrada levava-nos entre pequenas povoações, circundávamos o parque central percorriamos duas e três quadras, observavamos a igreja e daí seguíamos para a próxima vila. A linha costeira estava ao alcance do olhar entre os verdes montes e por vezes o caminho colocava-nos a par da praia. Entre caminhos de terra encontraríamos a cascata Ojos de Agua, onde faríamos uma pausa para uns mergulhos e uns banhos de sol. E daí o dia terminava no Zopilote numa festa da pizza. Pizzas cozinhadas com produtos da quinta num forno a lenha. Sentados no alpendre da quinta com luzes a dar cor e ambiente à noite de lua cheia. A noite convidava à festa e por entre os caminhos escuros rodeados de árvores chegaríamos a uma festa alternativa na eira na margem norte da quinta. Espectáculos de fogo e bebidas orgânicas acompanhados de diálogos excêntricos à volta da fogueira.

Passeio de scotter em Ometepe

Passeio de scotter em Ometepe

E depois de uma noite excêntrica, o dia seguinte seria de actividade.  A caminhada ao vulcão Maderas começava às 7 horas da manhã e seriam cerca de 4 horas de subida até o topo do vulcão. Um trilho que iniciava entre as plantações de milho e feijão, entrava por uma floresta densa tropical e terminava numa lagoa escondida na neblina. Um trilho enlameado pela humidade típica da época das chuvas e muito própria da rainflorest. Uma beleza fascinante, mítica e embalada pelo som dos animais. Se subir é cansativo, descer não seria menos custoso. O trilho enlameado estava resvaloso, digno para uma boa queda. Passo a passo, de bastão na mão direita e olhar nos pés, pé ante pé até regressar à base. 7 horas de caminhada. 7 horas de desafio constante. Um descanso merecedor ao final do dia.

Trilho no Vulcão Maderas

Trilho no Vulcão Maderas

Ometepe era mais um tesouro escondido de Nicarágua. Uma ilha, dois vulcões e tanto a descobrir…

 

 

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