Diário - Nicarágua, Nicarágua

Las Salinas num projeto comunitário

Setembro 20, 2016

Às vezes a viagem convida-me a parar, para de algum modo poder estar, sentir e conviver com o mais profundo dos lugares. Foi assim que cheguei a Las Salinas. E que, durante algum tempo pude submergi na cultura nicaraguense, numa das povoações pobres da região.

Teria semanas de escrita para descrever todos os momentos, todas as aprendizagens, cada história de cada pessoa. Cada um que passa em nossa vida, leva um pouco de nós mesmos, e deixa um pouco de si mesmo, recordava nestes momentos as palavras de Exupéry. E assim foi a minha passagem por Las Salinas.

Na primeira visita ao centro de saúde de La Assientamento a necessidade era gritante. Naquele dia a médica encontrava-se sozinha a limpar o chão do centro porque as enfermeiras de serviço estavam doentes com febre. O centro contava com 3 salas de tratamento e consulta, a organização era precária e a farmácia tinha várias faltas em stock. A assistência médica e os medicamentos disponíveis são gratuitos, contudo todos os exames analíticos e tratamentos mais especializados são reencaminhados para a cidade mais próxima a mais de 1 hora de distância. É notório o esforço das equipas médicas. No segundo dia de visita dirigido-nos à escola com a médica para fazer acções para a saúde no principal tema da actualidade: Zika. E por fim, nas visitas seguintes realizamos visitas à comunidade local para apelar à prevenção das doenças tropicais. Terminamos as visitas com uma feira de saúde, no qual a enfermeira Martita conseguiu reunir todos as organizações locais e todos os centros de saúde, na principal comunidade afectada. É magnífico assistir à dedicação e o envolvimento da comunidade. E foi também delicioso observar a transformação destes jovens americanos numa curta viagem à Nicarágua.

salinas8 nicaragua looking around

Na escola de Las Salinas, as visitas passaram por algumas aulas de inglês, aulas de basquetebol e natação. A educação é um tema delicado com várias lacunas difíceis de resolver. A educação ainda não é observada como um factor importantíssimo para o futuro de uma criança. E assim, Nicarágua continua a apresentar percentagens elevadas de ausência escolar, abandono escolar especialmente no sexo feminino e percentagens reduzidas de jovens licenciados. Na verdade, um jovem tem de se empenhar muito e estar seguro do seu caminho para que consiga se licenciar.

Grupo estudantes, professora Hellen, Gabriela da ONG Aprender

Grupo estudantes, professora Hellen, Gabriela da ONG Aprender e família nicaraguense

Ao final de uma semana, são evidentes as transformações dos voluntários. A sensibilidade e a simpatia para com o povo nica apurava-se a cada dia.  Hellen, a professora que acompanha todos os anos jovens até à Nicarágua, proporciona-lhes momentos de compreensão intercultural, apura-lhes o respeito com as comunidade que visitam, exige-lhes cuidado com o ambiente e programa-lhes uma aprendizagem aprofundada da cultura, saúde, educação e economia da Nicarágua. Para aqueles jovens de 18 anos, onde para muitos foi a primeira vez fora do seu país, é um choque e uma transformação real das suas visões sobre o mundo.

Um obrigada especial à Gabriela da Fundação Aprender e do ecolodge Equilibrio. E a todas as pessoas envolvidas nos seus projetos. Um abraço especial à Tere e à Karina que nos acompanham sempre durante estes dias e que foram incansáveis.

Um abraço especial às voluntárias com quem partilhei momentos simplesmente fantásticos, à Nathalie, à Muriel, à Aura, à Fernanda. 

Um abraço ao grupo de voluntários e às suas professoras que têm a coragem e a capacidade de acompanhar todos os anos jovens à Nicarágua.

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