Diário - Nicarágua

Léon, a alma revolucionária e cultural de Nicarágua

Setembro 1, 2016

Depois de atravessar 4 fronteiras em menos de 24 horas chegava de ânimo leve à Nicarágua. Sentimento este que não compartia com o condutor  que foi de uma atenção invejável e de uma energia incansável, com quem partilhei longas horas de conversa. Sentimento que também não compartia com os restantes 13 companheiros de viagem que tiveram que viajar apertados nos bancos de trás com um ar condicionado deficitário. Chegava de ânimo leve preparada para uma nova jornada rumo a sul da América Central. Primeira paragem na Nicarágua: León. A cidade jovem, cultural e histórica de Nicarágua.

Acordava jovial para percorrer as ruas de León com o Sebastian e o Julian. No mural da história ao lado da praça principal iniciávamos uma breve viagem pela história de Nicarágua. Naquela praça, que teria sido uma drogaria, agora era a praça héroes y mártires pintada com um mural descrevendo a história desde o tempos indígenas, passando pela colonização espanhola terminando na libertação do povo com a revolução sandinista. A um passo estava a Catedral de la Asunción de la Bienaventurada Virgen María, património da Humanidade da UNESCO. A imponente e majestosa catedral da Nicarágua, a maior de toda a América Central, protegida por dois leões, era a maior sobrevivente às intempéries da cidade (erupções vulcânicas, tremores de terra e guerras).  As paredes brancas, os pilares romanos e as cúpulas redondas, assumiam a majestosa posição da igreja em León. E subindo ao topo dos seus telhados a vista alcançava todo o território. Às portas da catedral, o parque central é um jardim onde os nicas passeiam e descansam à sombra, onde as bancas de rua aglomeram-se vendendo pratos de vigorón, plátanos salgados, doces e refrescos. À porta do abandonado e velho museu da revolução, Ricardo e os seus companheiros de revolução passam o tempo contando histórias aos turistas curiosos. Ricardo tem um rosto sofrido mas vive todos os dias na glória da revolução sandinista. E foi ali, a poucos passos que o princípio da história da revolução sandista se marcou com sangue e morte na rua. Nas imediações da mais antiga universidade de Nicarágua, 4 estudantes morreram na luta pela liberdade.Mauricio, José, Erick e Sergio são os rostos da morte e são também os rostos de coragem marcaram o inicio de uma força de libertação que conseguiu impôr um fim à ditadura levada a cabo pelo Somoza.

Catedral de león

Catedral de león

A revolução na Nicarágua não está distante, passaram pouco mais de 20 anos. A Nicarágua, assim como toda a América Central e sul, ainda possuem um forte poder político e revolucionário no núcleo universitário. Jovens discutem política e sonham ideiais de liberdade e modelos económicos sociais para o seu país. A política está tão viva nas universidades que ainda nos dias de hoje a imagem de Sandino permanece nos murais da universidade. León é uma cidade autêntica, cultural, vibrante e jovial.

Mural da morte dos estudantes Sergio, Erick, Jose e

Mural da morte dos estudantes Sergio, Erick, Jose e Mauricio

Julian e Sebastian empolgavam-se na história enquanto percorríamos a história da revolução. Fechavam os punhos e mostravam o país de poetas e de artistas que revolucionaram o país. Passávamos a poucos quarteirões da praça central pela praça dos poetas, onde Ruben Dario é o símbolo maior da poesia da Nicarágua e depois uma breve passagem às portas do teatro. Viviam com intensidade no sonho de uma esperança de um novo amanhecer para Nicarágua. Depois de uma revolução sandinista, o país está mergulhado numa falsa democracia levada a cabo pela família Ortega.

Revolucionários à porta do Museu da Revolução

Revolucionários à porta do Museu da Revolução

León mantêm a sua autenticidade, uma cidade consciente dos seus ideiais e segura do seu caminho para o país. Uma cidade de poetas, artistas e políticos, uma cidade de médicos, advogados, arquitectos e economistas. A cidade jovem, cultural e histórica de Nicarágua.

 

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