Diários-Cuba

Malecón, a avenida da vida cubana

Junho 27, 2016

A avenida Malecón é o principal ponto de encontro dos cubanos em Havana. Uma avenida larga de cerca de 8 km onde a luz ténue do final da tarde convida todos os cubanos à rua.

A avenida Malecón frente ao mar inspira turistas e cubanos. Sentados na muralha lançam um olhar sobre o desconhecido, sobre um horizonte nunca alcançado. Um olhar terrificamente brilhante, como crianças a aguardarem expectantes um presente de natal.

Depois do mar, a vida continua. Joaquim sentava-se com o seu amigo a tocar trompete apreciando a vida naquela passarela e o tempo a dissolver-se. Respiravam um pouco de ar e contavam-me como é difícil ganhar a vida em Havana. Depois de tocarem em bares e restaurantes, compõem as contas de casa com as gorjetas que caem no chapéu do Malecón. Como todos os cubanos, têm de ser creativos para sobreviver em Havana.

Mais adiante, uma criança pulava no mural sem receio de cair. Olhava-o, olhava-me. Sem receio, pousava para a minha lente. Que rosto expressivo diante de mim! E de repente, seguia sem conseguir saber-lhe o nome. De calções, t-shirt fresca, andar ligeiro, sózinho.

Ao lado da vida, na avenida os carros faziam as horas passar num frenesim de anos 50. Ana e os seus amigos chegavam com o cair do sol. Umas cervejas debaixo de braço e uns quantos amigos com apetite de iniciar uma grande festarola. Elas, de calções curtos a mostrar as formas do rabo e t-shirts decotadas de modo a verem-se as linhas dos seios. A sensualidade saía à rua, o calor propício, a pele suada e os olhares avassaladores. Eles, de calções sobre os joelhos, um penteado com estilo e meio embebido em gel e t-shirts sem mangas para se verem os músculos definidos. O calor a suar na pele.

O reggaeton invadia o Malecón pela noite e os pés começavam a rodopiar, aproximando os corpos. Um pouco de Havana Club. Fiesta! Não é preciso foguetes, mas todos os dias às 21 horas um canhão relembra à cidade, que está entre muralhas. Um mundo que continua fechado à maioria dos cubanos e que se está ao alcance de um olhar sobre o mar. É assim, que os cubanos são felizes, a música apaga todas as mágoas.

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