Diários - Guatemala

Tikal, na rota maia

Agosto 6, 2016

Atravessava a fronteira e penetrava na selva guatemalteca para chegar a Tikal. Seguia directamente para as ruínas para pernoitar no campismo dentro da reserva nacional de Tikal. Já conhecia grande parte da rota maia, contudo Tikal não me deixaria de surpreender…

A estrada era curvilínea e as árvores altas, densas e frondosas. O caminho era verdejante e a humidade alta. Os sinais de animais na área era múltiplos, assim como os buracos na estrada. Chegávamos a Tikal em época baixa, os turistas eram raros e o que animaria a noite seria apenas a orquestra que os macacos-aranhas, tucanos e outro pássaros nos dariam durante toda a noite. Estava tão admirada quanto Gillian, a jovem canadiana de pele branca e olhos claros que me acompanhava desde o Belize. Num local sossegado como este, o programa nocturno reduzia-se a um jantar, uma boa conversa e descanso. E assim foi, às 21 horas já estávamos a dormir embaladas por macacos-aranhas.

Madrugamos. Às 5 horas da manhã para entrar no parque para o amanhecer. Uma caminhada longa entre árvores altas e frondosas, como a ceiba, a árvore sagrada da vida. E entre alguns animais rastejantes, passáros e… eis que a guia exclama: “olhem um quati!”,  um mamífero de quatro patas e uma longa cauda, que ultimamente pela seca estaria desaparecido. O seu entusiasmo e espanto era autêntico. Caminhávamos com uma família guatemalteca. Os olhos de Ernesto, filho do casal com apenas 8 anos de idade, rejubilavam de alegria. A caminhada levava-nos ao templo IV. Uma escadaria em madeira inclinada para ascender ao topo da pirâmide. E ali, às 5h30m estávamos todos em silêncio a assistir à neblina a repousar sobre o topo da selva, sobre o pico das várias pirâmides que emergiam da selva. Todos sentados, suspensos na beleza do amanhecer. Em silêncio, como se fosse uma meditação. E ficaríamos ali horas simplesmente a observar, sem palavras, rendidos à natureza e à história. Há lugares que transmitem uma energia inexplicável. Regressava à minha Guatemala, estava de novo em casa.

tikal3 guatemala looking around

Tikal é patrimónimo mundial da UNESCO desde 1979. Uma cidade poderosa e de grandes dimensões repleta de templos, pirâmides e acrópoles, onde chegaram a ter mais de 90 000 habitantes numa época pré-colombiana. Na parte central do parque existiam duas acrópoles ao lado do templo do Grande Jaguar, o templo mais imponente pertencente ao rei do cidade maia. Às portas da pirâmide existia um túmulo de pedra de lima onde os pertencentes mais valiosos do rei eram sepultados, ali foi encontrado muito cacau, a moeda mais valiosa daquela época. E em frente ao templo do Grande Jaguar encontrava-se o templo II, um dos únicos templos maias encontrados dedicados a uma mulher. O parque é grandioso, perdia entre a selva maravilhada com toda a cidade. Na Praça dos Sete Templos ou no Mundo Perdido ou no Templo V. Na Praça Oeste, nos complexos Q, H ou P. Todos os caminhos eram novas descobertas.

Para os amantes de arqueologia Tikal deve ser extraordinário! Ou pleonasmando: extraordinamente magnífico! Depois da visita pelo amanhecer, percorria sozinha todos os recantos, subia a todos os templos e fotografava lentamente. O calor abafava e sobre a sombra das árvores descansava na companhia de um livro e a melodia dos pássaros. Não há cenário melhor do que ler uma história num local histórico como Tikal. Ali, devoraria livros. Livros de aventura, livros de história antiga, contos de fada, lendas e mitos. Imaginava-me em enredos misteriosos de outras galáxias.

Tikal é o cenário ideal para livros, fotografias e até para filmes. Naquela manhã, um grupo de protagonistas de placas e reflectores filmaram um filme de aventura na acrópole norte de Tikal. Frente ao templo de jaguar, um fotógrafo tirava fotografias que faziam-me lembrar as fotografias da escola primária. E famílias sentavam-se à sombra das árvores na praça admirando a paisagem.

Templo do Grande Jaguar

Templo do Grande Jaguar

Cansava-me do calor húmido de Tikal. Nunca me cansaria de estar entre os templos de Tikal. E dali seguia viagem para Flores, no departamento de Péten, a uma hora de viagem. Voltava às aventureiras viagens em chicken buses. E desta vez, tinha a sorte de a fazer gratuitamente com um grupo de estudantes de uma escola de Xela. Apertadinha mas no melhor lugar do autocarro travava uma das interessantes conversas com o motorista do autocarro.

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