Diários-México, México

Uxmal, a outra alternativa a ChiChén Itzá

Maio 12, 2016

Troquei ChiChén Itzá pelas ruínas de Uxmal. Para fugir do comércio desconcertante à entrado do templo. Para fugir às massas turísticas. E porque Uxmal influenciou muitas regiões, inclusivé Chichén Itzá.  

Chegava pela tarde e comigo mais nenhum turista viajava no autocarro público para Uxmal. Entrei em Uxmal sem filas e com poucos turistas. Não havia vendedores nem mendigos. Um céu com algumas nuvens e um calor estranho como se fosse adivinhar uma tempestade. O templo do Adivinho surge por entre as árvores. Construído durante o período clássico maia, entre 250dC a 950dC. Foi construído em várias etapas até completar 13 níveis de altura. A pirâmide foi a casa do deus Itzam-ná. Uma montanha sagrada que representa o supramundo. Adiante, atravessei um corredor afunilado em forma de pirâmide e logo de seguida entrei num relvado rectangular onde se concentravam os palácios. Todos eles com desenhos figurativos do tempo, uma espiral como nos templos gregos. Os maias representariam os ventos, as tempestades, os furacões. Máscaras com representações da caça ou do deus da chuva. Todos eles construídos entre o século X e XI. Ali viveram governantes e no centro do relvado faziam-se cerimónias e reuniões unindo os dois mundos, infra e supramundo. Uxmal foi capital e foi também a cidade mais importante da região. Tudo antes de Chichén Itzá.

Uxmal

Uxmal

Através de mais uma arcada fina e piramidal, mais um campo verdejante tomado por iguanas. São várias, vagueiam pelos templos e assustam turistas. São donas destes palácios. Entrei no campo onde se praticava o Jogo da Bola. Esta tradição pré-hispânica, com um significado desportivo e religioso podia demorar dias. A bola estaria relacionada com o Sol e a Lua, a vida e a morte. A bola teria de entrar num anel redondo de pedra. Aqui, assim como em Chichén Itzá, há sinais de sacríficios. Perfuravam a língua, as orelhas e o sexo. Mas em Uxmal não se encontraram sinais de decapitação.

Seguindo com o calor e com as iguanas deambulei até ao palácio do governador. Colocado num planalto bem alto onde se consegue avistar todos os outros palácios e o templo do adivinho. Começo a subir a escada em diagonal e as nuvens cinzentas já estavam próximas. Uns pingos e logo depois o cinzento escuro cobre todas as ruínas. As aves levantaram vôo e de repente não se avistavam iguanas. O deus da chuva foi chamado a Uxmal. Por momentos, as ruínas parecem estar sós. Elas e a chuva intensa. Seria possivelmente um momento sagrado nos tempos maias. Hoje, é apenas um dia de chuva tropical.

Palácio do Governador

Palácio do Governador

Uma pausa para os turistas poderem apreciar as ruínas em silêncio com o latejar da chuva. Breves momentos e logo de seguida o céu tornou-se limpo e o calor manteve-se inerte. As horas empurraram os turistas para a saída e em jeito de despedidas todos paravam diante do templo do adivinho para ouvir os pássaros que fazem ouvir com um bater de palmas bem forte.

Posso ainda não ter visto Chichén Itzá mas Uxmal encheu todas as medidas. Se contornar Chichén Itzá com certeza não ficarei arrependida… Não preciso de ir a Chichén Itzá para conhecer a cultura maia, ela está em toda a região e de uma forma bem presente.

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1 Comment

  • Reply Valladolid com mais encanto – Lookingaround Maio 18, 2016 at 16:06

    […] de Mérida, contorno ChiChén Itzá e chego pela tarde a Valladolid. Assim que desço as escadas do autocarro temperado com ar […]

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